A sharia é o caminho. No contexto islâmico, é a orientação abrangente que Deus forneceu para a vida humana, derivada principalmente do Alcorão e da Sunnah — os ensinamentos e ações registados do Profeta Muhammad. Abrange o culto, as relações familiares, as transações comerciais, as penas criminais e a ética pessoal.
Ao longo dos séculos, os estudiosos desenvolveram a ciência da jurisprudência, o fiqh, para extrair decisões das fontes. Surgiram quatro grandes escolas sunitas e diversas abordagens xiitas, que diferem nos métodos de raciocínio e nos juízos específicos, mas partilham os mesmos textos fundamentais. Nem todas as regras são igualmente certas; umas baseiam-se em textos claros, outras em analogias ou consenso académico. O ideal é uma vida vivida em conformidade com a vontade divina, e não meramente um código de castigos.
Na prática, a aplicação da sharia variou enormemente ao longo do tempo e do espaço. Os Estados islâmicos clássicos administravam-na por meio de tribunais; os estados-nação modernos adotaram-na, adaptaram-na ou restringiram-na em diferentes graus. Continuam os debates sobre a sua relação com a democracia, os direitos humanos e o estatuto dos não muçulmanos e das mulheres. Para muitos muçulmanos, a sharia continua a ser menos um programa político do que um ideal pessoal e comunitário de fidelidade.
Falar de sharia é falar de toda uma visão de como a vida deve ser ordenada sob a égide de Deus.
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