A falácia do apelo à ignorância consiste em afirmar que algo é verdadeiro porque não foi provado como falso, ou falso porque não foi provado como verdadeiro. A ausência de provas é tratada como prova, o que não é verdade. Não se pode provar uma negativa. O facto de ninguém ter provado que os fantasmas não existem não significa que existam fantasmas. Significa apenas que ninguém provou nenhuma das duas coisas.
A falácia é comum nos debates sobre Deus, extraterrestres e teorias da conspiração. Não se pode provar que Deus não existe, logo Deus existe. Essa é a falácia. A posição correta é o agnosticismo: não sabemos. O ónus da prova recai sobre quem faz a afirmação. Quem afirma deve apresentar provas. O cético não tem de provar a negativa.
Exemplos de apelo à ignorância
- Ninguém provou que os extraterrestres não visitam a Terra, por isso visitam sim.
- Não se pode provar que Deus não existe, logo Deus existe.
- Ninguém provou que a vacina é insegura, logo é segura.
- Os cientistas não explicaram tudo, logo a teoria está errada.
- Não há provas de fraude, pelo que a eleição foi justa.
O apelo à ignorância, também chamado argumentum ad ignorantiam, é uma falácia de irrelevância. A ausência de evidência não é evidência de nada, apenas ausência de evidência. Na ciência, a falta de provas é muitas vezes o ponto de partida para a investigação, e não uma conclusão. Em direito, a presunção de inocência não é um apelo à ignorância, mas antes uma norma processual. A acusação tem de provar a culpa, enquanto a defesa não tem de provar a inocência. Isso é diferente. O apelo à ignorância é um erro lógico, que confunde o que não sabemos com o que é verdadeiro. O mundo está cheio de coisas que desconhecemos, mas isso não as torna verdadeiras ou falsas, apenas desconhecidas.
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