Diógenes de Sinope vivia num barril, não possuía quase nada e disse a Alexandre Magno para sair da sua sombra. Não estava a ser grosseiro por mera maldade. Estava a querer dizer algo: a virtude reside em viver de acordo com a natureza, e não com as convenções. Os cínicos rejeitavam a riqueza, a reputação e as normas sociais como obstáculos a uma vida boa. O nome vem do grego kynikos, que significa semelhante a um cão, provavelmente porque viviam e se comportavam de formas que escandalizavam a sociedade educada.
O cinismo não é o cinismo moderno. Os cínicos da antiguidade não eram desiludidos nem amargos. Estavam comprometidos com uma forma radical de autossuficiência. Antístenes, discípulo de Sócrates, fundou a escola. Diógenes tornou-se a sua figura mais famosa. Crates doou a sua fortuna para viver como mendigo. Os cínicos usavam o humor, o choque e as performances públicas para expor a hipocrisia. Influenciaram o estoicismo, que adotou a sua ênfase na virtude e no autocontrolo, ao mesmo tempo que suavizou a sua rejeição da sociedade.
Princípios cínicos
- A virtude é o único bem. Tudo o resto é indiferente.
- Viva de acordo com a natureza. Rejeite as convenções artificiais.
- Autossuficiência. Depender do mínimo possível.
- Liberdade de expressão. Fale honestamente, independentemente das consequências.
O cinismo moderno, por outro lado, é uma desconfiança nas motivações alheias. A versão antiga era uma postura ética exigente, não um estado de espírito.
Comments
No comments yet. Be the first to share a thought.
Leave a comment