A veneração é um profundo respeito expresso de forma externa. No contexto cristão, é a honra prestada aos santos, às suas relíquias e às imagens sagradas — distinta da adoração que pertence apenas a Deus.
A distinção foi formalizada durante as polémicas iconoclastas dos séculos VIII e IX. O II Concílio de Niceia insistiu que a honra prestada a uma imagem passa para o protótipo; a imagem em si não é adorada. Os santos são venerados porque a graça de Deus é visível nas suas vidas; procura-se a sua intercessão porque estão vivos em Cristo. As relíquias — ossos, vestes ou objetos associados a pessoas santas — são tratadas com semelhante reverência como elos tangíveis com a comunhão dos santos.
Os reformadores protestantes, na sua maioria, rejeitaram a prática, temendo a idolatria e o afastamento de Cristo. As tradições católica e ortodoxa mantiveram-na e defenderam-na como uma expressão orgânica da memória e da esperança da Igreja. A devoção popular obscureceu, por vezes, as linhas teológicas; o ensinamento oficial continua a defini-las com cuidado.
Fora do cristianismo, gestos semelhantes aparecem no respeito demonstrado aos antepassados, mestres ou lugares sagrados. A veneração é a linguagem corporal da reverência quando as palavras, por si só, se revelam insuficientes.
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