Deixada por si só, a mente humana pode especular sobre Deus, mas não pode afirmar ter um conhecimento certo. A revelação é a afirmação de que Deus não deixou a humanidade à mercê da adivinhação. É o próprio ato de Deus de se revelar.
Nas tradições bíblicas, a revelação ocorre na história e na palavra. Deus fala com Abraão, liberta Israel do Egito, dirige-se aos profetas e, segundo a fé cristã, encarna-se em Jesus. As Escrituras são consideradas o depósito escrito dessa palavra. A revelação geral — o testemunho da criação e da consciência — distingue-se da revelação especial, a revelação mais particular dada através de Israel e da Igreja. O livro que encerra o Novo Testamento chama-se Apocalipse, uma revelação apocalíptica do fim dos tempos.
A teologia debate há muito tempo a forma como a revelação é recebida. Alguns enfatizam o conteúdo proposicional — verdades que podem ser declaradas e cridas. Outros destacam o encontro pessoal — a auto-revelação de Deus que transforma o recetor. A maioria das narrativas clássicas concilia ambas: Deus revela tanto factos sobre si mesmo como a sua própria presença. O processo não se esgota no passado; o Espírito continua a iluminar a palavra escrita e a guiar a comunidade.
Sem alguma forma de revelação, a linguagem religiosa corre o risco de se tornar mera projeção. Com ela, a conversa é iniciada do outro lado.
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